Resolução de Questão sobre Economia do Trabalho

Em 01/06/2006, a internauta “rsb_concursanda” escreveu-me o seguinte:  “Caro professor , gostaria da sua ajuda para entender a resolução dessa questão: (ESAF) Considere a função de produção de curto prazo X = 27L² – 2L³, onde X é a quantidade produzida e L a quantidade do fator trabalho, sendo constante a dotação do fator capital. A produção total máxima e o correspondente número de trabalhadores são:


a) 700 e 7

b) 704 e 8

c) 729 e 9

d) 737 e 10 


 
e) 700 e 10 

Resolução: se a função de produção é X = 27L² – 2L³, para encontramos a produção máxima devemos derivar a função de produção X em relação a L e igualarmos a zero:
dX/dL = 54L – 6L = 0 => 6L = 54 => L = 9 trabalhadores. Colocando L =9 na função de produção, temos que a produção máxima será: X = 27.9² – 2.9³ = 729
Gabarito: letra “C” O que não entendi é o porque de se igualar a zero 54L-6L e não 54L-6L² pois é elevado a 3 e com a derivação não seria assim 2L³=2x3L³-¹=6L² ou não é assim que se deriva ???” 

Resposta: “ oi colega, Você está correta no resultado de sua derivação. Então, vamos trabalhar com o seguinte modelo: X = 27L² – 2L³ Tomando as condições de primeira ordem, teremos: dX/dL = 0 54L – 6L² = 0 colocando L em evidência, teremos:

L(-6L + 54) = 0

a quantidade ótima do fator trabalho (ou o número ótimo de trabalhadores) será L = 0 (o que não tem sentido econômico nenhum) ou

-6L + 54 = 0
6L = 54
L = 54/9
L*=9

e, agora, é só substituir L* na função de produção. Então,

X = 27.9² – 2.9³ = 729

Parabéns.

Um forte abraço,

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O que é poupança governamental?

Em 22/05/2006, o internauta “Águia” solicitou minha ajuda no seguinte tópico: 

“Professor, tudo bem? Gostaria que você confirmasse alguns conceitos para mim! O saldo do governo em conta corrente é o mesmo que poupança do governo?

Poupança Líquida do Setor Privado = Lucro não distribuído + Poupança da família?

A receita líquida enviada para o exterior em termos da estrutura de balanço de pagamentos seria: RLEE = Serviços fatores + Transferências?


Valeu Professor !”
 

Resposta: “ Oi Águia, Basicamente, a política fiscal envolve duas variáveis: gastos públicos (G)e impostos (T). Quando há um excesso de gastos públicos em relação à tributação, consideramos então que o governo está com um déficit público (déficit governamental ou déficit orçamentário): Dg = G – T. Ao contrário, quando o governo está com um excesso de arrecadação de impostos em relação aos seus gastos públicos, dizemos que o governo está tendo um superávit orçamentário ou superávit em conta pública, ou, melhor ainda, o governo possui uma poupança governamental: Sg = T – G.
Alguns autores denominam a poupança governamental como saldo do governo em conta corrente. Cuidado, não confundir o saldo do governo em conta corrente (isto é, a poupança governamental) com o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente (isto é, o saldo em transações correntes).

Um grande abraço.”

Restrição Orçamentária Intertemporal

Em 06/12, Wilians Mampian Macedo escreveu:

“PROFESSOR.NÃO sei se estou abusando, mas gostyaria de saber se você pode me dar umaluz sobre o tópico Restriçaõ orçamentária intertemporal? Fico muito grato. Abraços.”

Resposta:

“Prezado Wilians,

A restrição orçamentária intertemporal do consumidor é representada pela equação C1 + C2 / 1 + r = Y1 + Y2 / 1 + r, onde C1 e C2 são o consumo presente e futuro, Y1 e Y2 a renda presente e a renda futura, e r a taxa de juros real. A partir daí o modelo mostra que o consumidor pode escolher diversas combinações entre o consumo presente e o consumo futuro, conforme suas preferências, afetadas principalmente pela renda e a taxa de juros. Enquanto isso, a restrição orçamentária intertemporal do governo iguala os valores atuais das receitas e das despesas no presente e no futuro. “

Equivalência Ricardiana

Em 08 de abril de 2006, o internauta Jr. me escreveu: “Bom dia Caro professor, gostaria que me tirasse a seguinte dúvida, por favor: o que é concepção ricardiana da dívida pública?”

Olá Jr,

Em uma definição básica, déficit público (déficit governamental ou déficit orçamentário) é definido pelo excesso de gastos públicos em relação à tributação arrecadada, isto é,

Dg = G – T

onde Dg é déficit público, G é gastos públicos e T é tributação.

Então, ocorre déficit público ou por aumento dos gastos públicos, ou por redução da tributação. De acordo com a concepção tradicional da dívida pública, e com base nos modelos econômicos, podemos listar algumas consequências da elevação do déficit orçamentário através de redução de impostos:

• o aumento na renda disponível provoca elevação do consumo e redução da poupança;

• a redução da poupança eleva a taxa de juros e desestimula o investimento;

• um menor nível de investimentos levará a um menor nível de produto/renda;

• com base no modelo IS-LM-BP, teremos elevação da demanda, do produto e do nível de emprego apenas no Curto Prazo;

• no Longo Prazo, os efeitos serão apenas a elevação no nível geral de preços;

• com a redução da poupança, temos superávits na conta de capital e déficit na conta-corrente, implicando em endividamento da nação;

• há ainda uma valorização da moeda nacional, desestimulando a importação e amenizando o efeito expansionista da política fiscal.

Embora todas as afirmações acima estejam teoricamente corretas, os economistas denominados “ricardianos” chegam a conclusões totalmente opostas, sintetizadas na concepção ricardiana da dívida pública, a seguir descrita.

Na verdade, o que desestrutura o pensamento tradicional acima é a afirmação de que o consumo não se alterará diante de uma redução de impostos sem correspondente redução dos gastos. “Em algum momento do futuro, o governo terá de aumentar os impostos para liquidar sua dívida e os juros acumulados. (…) esta política representa uma redução nos impostos no presente e um aumento no futuro.” (N. Gregory Mankiw) Parte-se das expectativas que os agentes têm de que a redução dos impostos será transitória, visto que o déficit gerado deverá ser coberto em algum momento no futuro.

Com base na teoria do consumo de Milton Friedman, uma renda disponível transitória não é consumida e sim poupada. É interessante notar que uma situação inversa também poderia ser tratada por essa teoria: uma simples redução nos gastos do governo geraria uma elevação no consumo, pois as pessoas formariam a expectativa de uma redução nos impostos no futuro para compensar o superávit gerado.

De maneira mais detalhada, a visão Ricardiana da dívida pública considera que um indivíduo atento ao futuro entende que o endividamento no presente significa impostos no futuro e, portanto, ele não teria nenhuma vantagem com o endividamento. Barro, contribuindo com a visão Ricardiana, acrescenta que, como as gerações futuras são os descendentes (filhos, netos, etc.) da geração atual, existe um altruísmo intergerações, ou seja, a geração presente se preocupa com as gerações futuras e, portanto, não é de seu interesse sobrecarregá-las com uma dívida excessiva.

Em defesa da visão tradicional, destacamos três fatores:

1) a questão da imprevisibilidade – a maioria das pessoas não entende muito bem as implicações da dívida pública;

2) a questão da restrição ao crédito – a maioria das pessoas são submetidas a restrições ao crédito e, quando perguntadas sobre a sua preferência entre impostos hoje ou impostos no futuro, escolherão impostos no futuro;

3) a questão geográfica (a possibilidade de migração) – muitas pessoas migram de um lugar para outro e, portanto, não estão muito preocupadas com o crescimento da dívida pública de onde moram, uma vez que, na ocasião do pagamento da dívida (ou elevação dos impostos), somente aqueles que ainda residirem (ou possuírem bens) na localidade em questão serão penalizados. Concluindo, ambas as teorias ainda sobrevivem pois as análises empíricas ainda não puderam julgar as afirmações.

Alguns teóricos tradicionais alegam que os consumidores não se importarão com a elevação futura nos impostos, pois a mesma recairá sobre as próximas gerações. Os ricardianos rebatem afirmando que tais gerações serão filhos e netos dos consumidores atuais que tenderão a poupar e transferir esses recursos através de herança.

Revistas Brasileiras de Economia

Prezados,

Esta é uma relação de revistas acadêmicas brasileiras da área de economia. Não é uma lista completa ou exaustiva, mas reúne os periódicos mais importantes segundo o último Qualis (http://servicos.capes.gov.br/webqualis/Index.faces) disponível (triênio 2004-2006).

 

QUALIDADE B.2

1) Economia: http://www.anpec.org.br/revista/index.htm

2) Economia Aplicada: http://www.usp.br/revecap/

3) Nova Economia: http://www.face.ufmg.br/novaeconomia/

4) Economia e Sociedade: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0104-0618&lng=en

5) Estudos Econômicos. Instituto de Pesquisas Econômicas. Periodicidade: trimestral. Homepage: http://www.estecon.fea.usp.br/index.php/estecon/issue/current

6) Pesquisa e Planejamento Econômico (Rio de Janeiro). Periodicidade: quadrimestral. Homepage: http://www.ipea.gov.br/ppe/index.php

7) Revista Brasileira de Economia. Periodicidade trimestral. Homepage: http://epge.fgv.br/ojs/index.php/rbe

8) Revista de Econometria. Periodicidade: semestral. Homepage: http://www.sbe.org.br/revista.html

9) Revista de Economia e Sociologia Rural. Periodicidade: trimestral. Homepage: http://www.sober.org.br/

10) Revista de Economia Política. Periodicidade: trimestral. Homepage: http://www.rep.org.br/

QUALIDADE B.3

1) Planejamento e Políticas Públicas: http://www.ipea.gov.br/pub/ppp/ppp.html

2) Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais: http://www.anpur.org.br/home.htm

3) Revista Brasileira de Finanças: http://www.sbfin.org.br/rbfin/index.html

4) Revista Brasileira de Inovação: http://www.finep.gov.br/revista_brasileira_inovacao/revista_ini.asp

5) Revista de Economia Contemporânea: http://www.ie.ufrj.br/revista/lng/pt/index.php

6) Revista Econômica do Nordeste: http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/Publicacoes/ren-apresentacao/gerados/apresentacao.asp

7) Análise Econômica: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/AnaliseEconomica

QUALIDADE B.4

1) Econômica (Niterói): http://www.uff.br/cpgeconomia/economica.htm

 2) Ensaios FEE: http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/publicacoes/pg_revistas_ensaios.php

 3) Revista Brasileira de Economia de Empresas: http://www.ucb.br/economia/revista/

4) Revista de Economia e Administração: http://www.ibmecsp.edu.br/inst/pages.php?recid=25

5) Revista de Economia (Curitiba): http://www.economia.ufpr.br/publica/trabalho.htm

6) Revista de Economia e Agronegócio: http://www.ufv.br/der/public/public.htm

7) Revista de Gestão e Economia: http://www.dge.ubi.pt/rdge/rdge_estatuto.htm

8) Histórica Econômica &  História de Empresas: http://www.abphe.org.br/revista/objetivo.html

QUALIDADE B.5

1) Estudos do CEPE: http://online.unisc.br/seer/index.php/cepe

2) Análise (PUCRS): http://revistaseletronicas.pucrs.br/teo/ojs/index.php/face

3) Revista Economia Ensaios: http://www.seer.ufu.br/index.php/revistaeconomiaensaios

4) Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política: http://www.sep.org.br/site

Senhoriagem e Imposto Inflacionário

Em 16/02, o concurseiro “voupassar” escreveu:
“Professor, seguindo sua orientação em outro tópico, estou estudando finanças pelo livro de Giambiagi. Mas da parte que ele fala de senhoriagem e imposto inflacionário não deu pra entender muita coisa. Dá pra vc explicar esses conceitos? Obrigado”

Resposta:
“Olá amigo(a) ‘Voupassar’,
De forma bem resumida, os governos podem auferir receita como resultado de seu monopólio na emissão de moeda. Nesse contexto, define-se seignorage real ou senhoriagem como sendo o produto da expansão monetária pelos saldos monetários reais. A partir dessa definição, seignorage não necessariamente é igual ao imposto inflacionário. É o poder de compra da expansão monetária feita pelo Banco Central. Teoricamente, são bens e serviços que o Banco Central pode adquirir pelo fato de ser monopolista da emissão de papel moeda. Os governos podem obter volumes significativos de recursos ano após ano pela emissão de moeda, isto é, aumentando a base monetária. Esta fonte de receita, conhecida como seignorage ou senhoriagem, é a habilidade que o governo possui para aumentar a receita por meio do seu direito de criar moeda.
O Imposto Inflacionário ou seigniorage nominal, refere-se às perdas sofridas pela detenção de moeda em conseqüência da inflação. Isto é,

(i) É a perda do poder aquisitivo da moeda durante a inflação;
(ii) É o juro real negativo pago pela base monetária;
(iii) É uma transferência de renda da economia para o Banco Central;
(iv) É dado pela incidência da taxa de inflação sobre os encaixes monetários reais

Um forte abraço,

Sérgio Ricardo de Brito Gadelha
Email: professor.sergio.gadelha@gmail.com